De Chapeiro do McDonald’s no Maine a Embaixador Em Washington

Tenho amigos (muitos) que costumam achar que tudo o que o Bolsonaro faz é uma maravilha.

Com o perdão deles, quero manifestar minha perplexidade diante da possibilidade da indicação do filho para a Embaixada do Brasil em Washington.

Além do absurdo do posto vir a ser ocupado por Eduardo Bolsonaro, convém lembrar que essa importante posição está vacante há meses e que, enquanto se especulava acerca do diplomata que ocuparia o cargo, sabe-se agora que esse era o plano inicial.

A evidência disso é que a manifestação do Presidente ocorreu exatamente um dia após o filho ter completado 35 anos, a idade mínima estabelecida por lei para que alguém assuma a chefia de uma missão diplomática permanente.

De acordo com a legislação pertinente, o fato de ele não pertencer aos quadros do Itamaraty poderia ser ignorado desde que, além de 35 anos, fosse alguém com “reconhecido mérito e com relevantes serviços prestados ao país”.

Convenhamos: mesmo que ele tenha sido sido Funcionário do Mês no McDonald’s no Maine, fale inglês e espanhol e seja amigo do filho do Trump, esses “méritos” estão muito longe de representar a qualificação que se exige para ocupar o posto.

Como o candidato deverá ser sabatinado no Senado, espero que lá ele seja questionado, por exemplo, sobre como pretende enfrentar a questão do comércio de produtos como açúcar, algodão, alumínio, carne bovina e de frango, etc, além de siderúrgicos como aço.

Sabe-se que todos esses são itens nos quais competimos com vantagens e cuja exportações para os Estados Unidos são travadas por barreiras alfandegárias.

Se ao invés disso quiserem saber sobre o ponto de fritura do hamburger do Big Mac, aí é melhor já marcar a passagem dele.

3 thoughts on “De Chapeiro do McDonald’s no Maine a Embaixador Em Washington

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    lupercio

    Todos os excelentes diplomatas que o Brasil mandou para USA nada fizeram de especial, só para falar com o presidente da América deveriam passar dias pedindo. Agora imagine um embaixador que pode cear com a família Trump facilmente? Aqui em Recife tinha uma família que era amiga especial de Carter, inclusive ele esteve aqui, será que eles tinham uma boa aproximação.
    Ora, se você é amigo da mãe do Presidente, tem mais acesso, tudo fica mais fácil, a cerimônia desaparece.

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    LIGIA LUIS DE FREITAS

    Fico passada com a incapacidade de análise de conjuntura de alguns defensores do chapeiro do McDonald’s.

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    Jayme de A. lima

    Além de estupefato , perplexo com o fato do mito indicar filho para a embaixada do Brasil, me assusta não haver uma assessoria competente para evitar tais factóides. Tal fato deve revirar na tumba o Barão do Rio Branco, ser diplomata é ser versátil em três idiomas básicos: francês, espanhol e inglês, conhecer a história geral, mercado financeiro, comércio exterior, política externa, geopolítica, estimular o comércio entre o Brasil e o país onde creditado. O filhote fez 35 anos idade mínima para um diplomata ocupar uma embaixada, ou então um cidadão probo, de alta cultura, um CEO competente e não um mero “ piá de prédio”

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