No Enterro do Piloto do Avião de Entebbe, o Hino Nacional de Israel

Faleceu há poucos dias em Nice, na França, Michel Bacos, aos 95 anos. 

Em 27 de junho de 1976 esse homem notável comandava um voo da Air France na rota Tel Aviv – Paris, com escala em Atenas. Apenas 8 minutos após a decolagem da capital grega, terroristas da FPLP e do grupo alemão Baader-Meinhof sequestraram o avião com 248 passageiros e 12 tripulantes.

O voo foi inicialmente desviado para a Líbia, onde foi reabastecido, e na sequencia seguiu para Entebbe, em Uganda, onde o avião chegou com apenas 20 minutos de combustível nos tanques. Ao aterrizar, os terroristas foram recebidos por outros companheiros e festivamente saudados pelo sanguinário ditador Idi Amin.  

Três dias depois foram liberados 48 passageiros que não eram judeus e nem possuíam passaportes israelenses. Os demais foram ameaçados de execução sob a exigência de que 53 companheiros acusados de atos terroristas presos em Israel e outros países fossem soltos. 

A companhia aérea mandou um avião para resgatar os passageiros liberados e a tripulação, mas o Comandante Michel Bacos negou-se a abandonar os demais reféns, dizendo aos tripulantes que sua obrigação era permanecer ali até que o último deles fosse solto.

Michel Bacos era um antigo militar. Em 2016, em entrevista à BBC ele disse eu falei para minha tripulação que nos deveríamos ficar até o final, porque aquela era nossa tradição, então nós não podíamos aceitar sermos soltos. E todos eles concordaram, sem exceção.

Na noite de 4 de julho três aviões com soldados de Israel fizeram uma operação de resgate, na qual foram mortos três dos 106 passageiros e o tenente-coronel Yonatan Netanyahu, o irmão mais velho do atual Primeiro-Ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Os acontecimentos renderam vários filmes e ainda hoje são lembrados como um dos episódios mais extraordinários da luta anti-terror.

O Comandante Michel Bacos recebeu a mais alta condecoração civil da França, a Legião de Honra. Agora, por ocasião de seu falecimento, o Prefeito de Nice Christian Estrosi falou: Michel era um herói. Ao recusar bravamente ceder ao anti-Semitismo, ele honrou a França.Já o mais moço sobrevivente do resgate, Benny Davidson disse que “Bacos foi o protagonista ao assumir o papel mais importante na defesa dos reféns.”

Um detalhe que emocionou aos israelenses e judeus de todo o mundo foi o revelado no sepultamento do Comandante Michel Bacos: ele havia deixado instruções para que o Hatikva (A Esperança), o hino nacional de Israel, fosse tocado na cerimônia.

 

 

 

 

One thought on “No Enterro do Piloto do Avião de Entebbe, o Hino Nacional de Israel

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    Marli

    Muito lindo e corajosa só o resto dele.

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