Saudade do que Não Vivi

No dia 7 de fevereiro de 1965, meu pai, Isaac, estava com 41 anos. Completaria 42 naquele mesmo mês.
Minha mãe, Selda, tinha 39 e em poucos dias faria 40.
Gisele, uma de minhas irmãs, completaria 12 em março
Gilce, a caçula dos 5 irmãos, faria 9 em maio.

Todos com muita vida pela frente.

Nesse dia, um domingo, tiveram as vidas ceifadas num acidente pavoroso, que reduziu nossa família de 7 para 3 pessoas.
Gilberto, o irmão mais velho, faria 19 anos logo depois; eu tinha 17 e o Gilson, que era o do meio, estava com 13.

Sempre soube que uma pessoa não está morta enquanto houver alguém que a mantenha viva dentro de si.
Muitos familiares e amigos ainda os têm na memória e por isso todos os anos faço essa lembrança no dia de hoje.

Após 52 anos, a dor desesperadora há muito deu lugar a uma espécie de resignação. Mas nunca pude deixar de divagar sobre como teriam sido as nossas vidas se o fortuito não tivesse nos atingido daquela forma.

Hoje são 10 netos e 5 bisnetos. Quantos mais poderiam ser? As meninas teriam casado, teriam tido filhos? E nossos pais, teriam sido longevos?

Sonhos, apenas. Desejos de que as coisas pudessem ter sido diferentes, uma saudade enorme daquilo que não foi vivido.

One thought on “Saudade do que Não Vivi

  • Reinaldo Ac

    Belo e emocionante texto. Revela, uma vez mais, a sensibilidade e a grandeza do coração e da generosidade do Gerson Guelmann.

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