Curitibanices – Reflexões Sobre o Cotidiano em Uma Cidade Grande

Certas coisas só acontecem em Curitiba, mesmo.

Há poucos meses postei aqui sobre o hábito que os nativos têm de andar com guarda-chuvas embaixo das marquises, deixando os pobres “desapetrechados” (como dizia Odorico Paraguaçu) à mercê de agressões fortuitas.

Hoje acrescento outras experiências típicas da nossa Capital:

* Numa tarde dessas, toca a campainha de casa. Dois rapazes devidamente uniformizados se apresentam como funcionários de empresa terceirizada da Sanepar, a companhia de saneamento do Paraná, em trabalho de verificação da regularidade das ligações de água e esgoto. Por cima da grade do portão me entregam 3 frascos de um líquido viscoso e de cores diferentes, orientando-me para colocá-los cada qual em um lugar: vaso sanitário, cuba da cozinha e tanque da área de serviço. Atendido o pedido, volto ao portão e entabulamos uma conversa, começando com meu elogio pelo serviço, que visa impedir que efluentes cheguem aos rios. Portão aberto, acompanho os dois à uma caixa de acesso destampada por eles, onde vimos que as ligações de casa estão todas corretas. Aceitaram a oferta de água – brinquei dizendo que não era da Sanepar – e comentaram que um pouco antes, ao abordar uma senhora em residência próxima, viram uma vizinha desaconselhá-la a continuar a conversa “porque podia ser assalto“. Não dá para recriminar, dá?

* No Supermercado do bairro, recém reformado, há apenas uma vaga prioritária para Idosos em cada um dos estacionamentos. Chegando lá, há poucos dias, vi uma jovem senhora estacionar exatamente nesse lugar. Detalhe: o espaço todo estava praticamente vazio. Impávida, desceu do carro e enquanto entrava no supermercado pude confirmar que faltam uns 30 anos para que ela tenha aquele direito. Coloquei meu carro em outra vaga e também entrei, pensando:
– “vou chegar perto dela e dizer que está muito conservada para os 60“.
Ficou só no pensamento. Curitibano que sou, achei melhor ficar quieto. 

A história dos guarda-chuvas nas marquises está aqui.

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