Dormir pouco favorece o Alzheimer

Quem lê meu Blog com frequência há de ter notado que os temas relacionados aos achaques da velhice são recorrentes.

Não dá para estranhar, considerando que já estou no meu 73º aniversário, né?

Então, compartilho mais um artigo sobre o temido Alzheimer, publicado há poucos dias no jornal El País:

NEUROLOGIA

A má qualidade do sono desperta o Alzheimer

Dois estudos científicos sugerem um vínculo entre a insônia e o aumento do risco de desenvolver a doença

JESSICA MOUZO QUINTÁNS

Barcelona – 09 JAN 2020 – 15:58 BRT

As noites sem dormir afetam o cérebro. Mais do que parece. Além do cansaço e da falta de concentração no dia seguinte, o desempenho cognitivo pode sofrer a longo prazo e de forma mais grave. Um estudo da Fundação Pasqual Maragall, especializada na pesquisa da doença de Alzheimer, encontrou mudanças na estrutura cerebral que sugerem uma ligação entre a insônia e o desenvolvimento dessa doença neurodegenerativa. Pesquisas realizadas com pessoas saudáveis ​​constataram que as que sofrem de insônia apresentam alterações em algumas áreas do cérebro que também são afetadas nos estágios iniciais da doença de Alzheimer. Os danos cerebrais nessa doença neurológica começam muito antes de o paciente desenvolver os primeiros sintomas.

Não é a primeira vez que distúrbios do sono são relacionados a um alto risco de demência. Um estudo multicêntrico publicado em 2018 na revista Alzheimer’s & Dementia já apontava que a insônia na meia idade está associada a um risco mais elevado desse tipo de doença neurodegenerativa. A pesquisa da Fundação Pasqual Maragall, realizada com 1.683 pessoas saudáveis ​​—615 delas com insônia— e publicada na revista Alzheimer’s Research and Therapy, confirma que os participantes com distúrbios do sono tinham um volume menor em regiões cerebrais como o precuneus ou o córtex cingulado posterior. “São áreas que participam de redes que trabalham no funcionamento da memória, do desempenho… É nessas áreas que se acumulam os danos neurológicos nos estágios iniciais da doença de Alzheimer. Pode ser que estejam acumulando danos ou que, por si só, tenham menos volume “, explica Oriol Grau, primeiro signatário do estudo.

Além disso, a pesquisa encontrou mudanças na substância branca do cérebro —onde estão os axônios, os “fios” que conectam os neurônios com outros. “Sabemos que uma perturbação nessa substância pode afetar a cognição. O perfil das mudanças que encontramos pode sugerir que existe um tipo de inflamação ligada à insônia. O que não sabemos é qual é o papel da inflamação”, diz Grau. Os pesquisadores também descobriram que os efeitos da insônia são potencializados nos portadores da variante genética APOE-ε4, que confere um maior risco de sofrer da doença de Alzheimer. “A conclusão é que, embora a magnitude do efeito seja pequena, este estudo traz a evidência de que há um elo entre a insônia e o risco da doença de Alzheimer: pessoas com insônia refletem alterações ligadas a essa doença”, conclui Grau.

Em linha com o estudo da Fundação Pasqual Maragall, pesquisadores suecos descobriram que, depois de submeter homens jovens saudáveis ​​a uma noite sem dormir, os níveis sanguíneos da proteína tau —um biomarcador da doença de Alzheimer— estavam mais altos. O acúmulo dessa proteína, responsável por estabilizar e ajudar a montar o esqueleto dos neurônios, é um dos sinais biológicos que aparecem no cérebro das pessoas com Alzheimer. A tau é, junto com a proteína beta-amiloide, o alerta de dano neurológico por causa desta doença degenerativa.

“A insônia é um fator de risco. Não causa, por si só, a doença de Alzheimer, mas aumenta o risco de demência. Mas os mecanismos não são claros.”
ALBERT LLEÓ, DIRETOR DA UNIDADE DE MEMÓRIA DO SERVIÇO DE NEUROLOGIA DO HOSPITAL SANT PAU, EM BARCELONA

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