Encontro na Grand Central

Jacó, um jovem judeu iniciante no ramo das invenções tecnológicas, vinha pela estação Grand Central em Nova York, carregando duas malas enormes e evidentemente pesadas, quando um estranho se aproximou:
– “Por gentileza, meu relógio estragou, pode me dizer que horas são?”

O jovem suspirou, colocou as malas no chão e disse, olhando para o relógio:
– “São quinze para as seis.”

O homem agradeceu e falou:
– “Ei, esse é um relógio bonito!”

Jacó se animou e falou:
– “Sim, não é ruim, confira isso” – e começou a demonstrar as funcionalidades do relógio.
– “Ele mostra o fuso horário das 50 maiores cidades do mundo.”
Apertou um botão e uma voz disse “agora faltam onze para as seis” – em inglês com sotaque texano.

Mais um toque no botão e  uma voz falou em japonês.

E Jacó, estimulado pela perspectiva de poder falar sobre a invenção, passou a detalhar:
– “Todos os idiomas estão previstos, inclusive com os sotaques regionais. Você pode aferir tua pressão e os batimentos cardíacos, também tem um receptor de rádio FM com sintonizador digital, e a capacidade de gravação de áudios é equivalente a 300 livros de tamanho padrão.”

A essa altura o desconhecido estava impressionado e não escondia a admiração.

– “Isso não é tudo”, falou Jacó, apertando outro botão. – “Aqui está nossa localização, dada pelo GPS. Você pode acessar os mapas que quiser. E se estiver perto de uma impressora, ele se conectará por bluetooth ou uma rede wifi.”

– “Eu quero comprar este relógio!” – disse o estranho.”
– “Não, ainda não está pronto para venda, estou trabalhando com os bugs”, disse o inventor.

– “Mas olhe isso”, e mostrou que o relógio tinha um dispositivo sonar para medir distâncias de até 125 metros e um pager para receber mensagens via satélite.

“Eu preciso ter este relógio!” – insistiu o homem.
– “Não, você não entende, ele não está pronto, é só um protótipo.”
– “Eu te dou U$ 1.000 por ele!”
– “Ah, não, eu já gastei mais do que isso.”
– “Eu pago U$ 5.000.”
E sem dar tempo de Jacó responder, emendou:
– Sabe o que? Eu vou te pagar U$ 15.000!”

E tirou um talão de cheques, enquanto Jacó pensava: – “Eu gastei U$ 5.500 em materiais e desenvolvimento. Vou forçar um pouco e se ele aceitar o que vou pedir, posso fazer outro com todos os melhoramentos e começar a produção em seis meses.”

Vendo que o estranho estava pronto para fazer o cheque, Jacó disse:
– “Quero U$ 20.000. Por menos do que isso, não vendo.”

O homem respondeu:
– “Fechado.”
E imediatamente preencheu o cheque e o assinou.

Jacó pegou o cheque e entregou o relógio, que já havia tirado do pulso.
O desconhecido agradeceu e o afivelou, visivelmente feliz, enquanto se virava para ir embora, quando Jacó o chamou.

– “Ei, espere um minuto… ” – e arrematou, apontando para as duas malas que estava arrastando pela estação de ônibus:
– “Não esqueça as baterias.”

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