Mais Um Texto do Veríssimo Que Não é do Veríssimo

Provavelmente Luis Fernando Veríssimo e Clarice Lispector são os escritores brasileiros aos quais mais são atribuídos textos falsos nas correntes que circulam na web.

No caso de Veríssimo ele mesmo acaba fazendo o desmentido, mas quando a autoria é dada como sendo de Clarice Lispector, só mesmo os estudiosos da obra dela conseguem apurar e esclarecer.

O mais recente texto que está circulando é um que fala sobre uma conversa em Minas Gerais entre um caipira e um degustador de vinho.

Feita a ressalva sobre a autoria, é muito engraçada e vale a pena compartilhar:

Ocê gósdevinho?

Degustação de vinho em MG:

– Hummm… 

– Hummm…

– Eca!!!

– Eca?! Quem falou Eca? 

– Fui eu, sô! O senhor num acha que esse vinho tá com um gostim estranho?

– Que é isso?! Ele lembra frutas secas adamascadas, com leve toque de trufas brancas, revelando um retrogosto persistente, mas sutil, que enevoa as papilas de lembranças tropicais atávicas… 

– Putaquepariu sô! E o senhor cheirou isso tudo aí no copo ?!

– Claro! Sou um enófilo laureado. E o senhor? 

– Cebesta, eu não! Sou isso não senhor !! Mas que isso aqui tá me cheirando iguarzinho à minha egüinha Gertrudes depois da chuva, lá isso tá!

– Ai, que heresia! Valei-me São Mouton Rothschild! 

– O senhor me desculpe, mas eu vi o senhor sacudindo o copo e enfiando o narigão lá dentro. O senhor tá gripado, é?

– Não, meu amigo, são técnicas internacionais de degustação entende? Caso queira, posso ser seu mestre na arte enológica. O senhor aprenderá como segurar a garrafa, sacar a rolha, escolher a taça, deitar o vinho e, então… 

– E intão moiá o biscoito, né? Tô fora, seu frutinha adamascada! 

– O querido não entendeu. O que eu quero é introduzi-lo no … 

– Mais num vai introduzi mais é nunca! Desafasta, coisa ruim! 

– Calma! O senhor precisa conhecer nosso grupo de degustação. Hoje, por exemplo, vamos apreciar uns franceses jovens… 

– Hã-hã… Eu sabia que tinha francês nessa história lazarenta … 

– O senhor poderia começar com um Beaujolais! 

– Num beijo lê, nem beijo lá! Eu sô é home, safardana! 

– Então, que tal um mais encorpado? 

– Óia lá, ocê tá brincano com fogo …

– Ou, então, um suave fresco! 

– Seu moço, tome tento, que a minha mão já tá coçando de vontade de meter um tapa na sua cara desavergonhada! 

– Já sei: iniciemos com um brut, curto e duro. O senhor vai gostar! 

– Num vô não, fio de um cão! Mas num vô, messs! Num é questão de tamanho e firmeza, não, seu fióte de brabuleta. Meu negócio é outro, qui inté rima com brabuleta … 

– Então, vejamos, que tal um aveludado e escorregadio? 

– E que tal a mão no pédovido, hein, seu fióte de Belzebu? 

– Pra que esse nervosismo todo? Já sei, o senhor prefere um duro e macio, acertei? 

– Eu é qui vô acertá um tapão nas suas venta, cão sarnento! Engulidô de rôia! 

– Mole e redondo, com bouquet forte? 

– Agora, ocê pulô o corguim! E é um… e é dois… e é treis! Num corre, não, fiodaputa! Vorta aqui que eu te arrebento, sua bicha fedorenta! …

 

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