Não só os judeus foram vítimas do Secretário da Cultura

Compartilho publicação do meu querido e competentíssimo amigo Carlinhos Brickmann, onde ele mostra que não apenas os judeus foram vítimas do despautério do defenestrado Roberto Alvim, ex-Secretário da Cultura:

A comunidade judaica brasileira não foi o alvo dos devaneios do ex-secretário de Cultura Roberto Alvim.

Foi um dos alvos: outros foram os militares brasileiros enterrados no cemitério de Pistoia, na Itália, que sob o comando do marechal Mascarenhas de Moraes, sob a Bandeira Nacional, ao lado dos Aliados, combateram as tropas do Eixo comandadas pelos nazistas e fascistas.

Outros ainda tiveram sua memória desrespeitada, como os que morreram quando navios brasileiros foram torpedeados pelos nazistas numa época em que o Brasil nem estava em guerra; e os que, no Brasil, viam o morticínio de seus irmãos ciganos, ou dos homossexuais, ou dos socialistas, ou dos comunistas.

Com todos, ao lado de todos, os judeus foram vítimas do grande símbolo do Mal.

Mas Roberto Alvim não chegou ao posto, disse bom-dia e começou a dar ordens. Foi nomeado para uma área vital pelo presidente da República, Jair Messias Bolsonaro. Ideologia não seria um critério necessariamente de exclusão: há muitos artistas, muitos intelectuais, muitos estudiosos da cultura entre os quais escolher o ocupante de cargo de tamanha importância.

Paulo Maluf, que esquerdista jamais foi, escolheu Rodolfo Konder para secretário da Cultura, com passado comunista recente e nome que elogiava comunistas latino-americanos (Rodolfo, de Rodolfo Ghioldi, comunista argentino, e Oswaldo, de Oswaldo Peralva, à época comunista brasileiro). Konder foi um dos melhores secretários de Cultura que a cidade de São Paulo já teve.

Bolsonaro agora indicou Regina Duarte, uma artista de prestígio que a esquerda tenta boicotar desde que se recusou a apoiar Lula nas eleições de 2010 (e, crime dos crimes, disse ter medo dele). É difícil que os petistas aceitem pacificamente a nomeação de Regina, mas aí é luta partidária.

Já Roberto Alvim, como seria possível falar em favor dele? E um partido que poderia defendê-lo, talvez o único, é proibido.

O texto está no perfil do Carlinhos Brickmann no Facebook e pode ser acessado aqui.

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