Você Absorve Problemas dos Outros? Então Você é Um “Esponja”!

O site Bem Estar há muito tempo é uma fonte de boas matérias para compartilhar com meus amigos.

Da coluna “Equilíbrio” trago um artigo muito oportuno que trata do limite que precisamos impor à nós mesmos quando se trata de ajudar outras pessoas:


EQUILÍBRIO

Pessoas esponja: veja como ajudar os outros sem absorver “lixo emocional”

Simone Cunha

Colaboração para o VivaBem

06/09/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Não dá para “abraçar” os problemas alheios com a difícil tarefa de resolvê-los, isso acaba fazendo você ficar com mais emoções negativas com você
  • Para ajudar quem está perto e sermos empáticos, podemos oferecer uma escuta sincera e realizar o que está ao alcance
  • Relações saudáveis são baseadas em trocas harmônicas, enquanto interações negativas incomodam

Desenvolver a empatia tornou-se essencial para construir um mundo melhor e mais solidário. Essa palavra nunca esteve tão em alta, afinal empatia é a capacidade genuína de colocar-se no lugar do outro, sem críticas e julgamentos. No entanto, não dá para “abraçar” os problemas alheios e assumi-los com a difícil tarefa de resolvê-los. Por isso, cada um de nós tem o grande desafio de aprender a impor limites. Ajudar sim, sempre, mas sem absorver dores e crises.

“As pessoas devem se responsabilizar pelos seus problemas. É importante ajudar, mas sem interferir no enfrentamento da situação”, diz Eliana Melcher Martins, coordenadora no Centro de Estudos em Terapia Cognitivo-Comportamental da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Portanto, estabelecer limites é o primeiro passo para não ser “esponja”, aquela pessoa que só fica absorvendo os problemas ao redor.

Ofereça uma escuta sincera

Muitas vezes, consideramos que uma ajuda valiosa implica em sacrifícios. Mas não é bem assim! Vivemos um momento em que está cada vez mais raro encontrar ouvidos sensíveis e que queiram ouvir com sinceridade e vontade de ajudar. “Por outro lado, existe um desejo insaciável pelo poder e sentimento de importância. E a ilusão de poder resolver a vida do outro infla nosso ego”, alerta a psicóloga Marcia Marchiori.

Na prática, podemos oferecer uma escuta sincera e realizar o que está ao alcance. Mas é importante não misturar os sentimentos. Ser solidário é conseguir ajudar sem se envolver. Já o contágio emocional em excesso propicia uma mistura de sentimentos em que a pessoa pode ir se contaminando com o problema alheio, ativando a ideia de que terá que resolver tudo de qualquer jeito. “É preciso manter a compaixão para conseguir validar e adotar um comportamento de ajuda em relação ao outro”, diz a terapeuta cognitivo-comportamental Maria Amélia Penido, docente na PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro).

Menos é mais!

Um apoio consistente pode ajudar muito mais quem está realmente precisando. Ou seja, “abraçar” o problema do outro não minimiza a sua dor, tampouco, garante uma solução. “Só vai gastando energia em algo que não lhe pertence podendo gerar ansiedade, frustrações e até depressão, pois nem sempre é possível ajudar efetivamente”, destaca a psicóloga Priscila Gasparini Fernandes, psicanalista com especialização em neuropsicologia e neuropsicanálise.

Por isso, os sentimentos envolvidos têm de ser separados para que todos tenham uma saúde emocional adequada. Então, na hora de oferecer aquele ombro amigo, esteja apto para filtrar os sentimentos envolvidos naquela situação. “Conseguir desenvolver essa habilidade ajuda a fazer escolhas mais conscientes, o sofrimento do outro é ruim, mas pertence a ele. E é possível ajudar mais se conseguir manter um grau de distanciamento”, sugere Penido. Ter a estratégia de flexibilizar os pensamentos e os sentimentos pode contribuir para uma ação mais rápida e efetiva do problema.

Sem mergulhar no problema do outro

Fernandes concorda que, com pessoas mais próximas, é mais difícil impor limites, afinal envolve muito carinho e o convívio é maior. Mas é importante manter o foco na ajuda com o distanciamento necessário para que ela realmente prevaleça. Afinal, muitas vezes, podem se estabelecer parcerias que a princípio podem enganar: por um lado o sofredor, a vítima e suas reclamações, e do outro, aquele que ouve e acolhe. Porém, podem se transformar em interações tóxicas que irão trazer prejuízos.

De acordo com Marchiori, existem pessoas que não querem soluções, mas querem despejar seus lixos emocionais, frustrações e esvaziar o copo. “Para tornar a enchê-lo em seguida com o mesmo conteúdo; um comportamento habitual e que, ao ouvi-los, só reforçamos esse comportamento”, destaca. Em geral, podem ser pessoas muito próximas que abusam da intimidade para “dividir” seus problemas sob a máscara da suposta confiança, despejando toda sua negatividade como se tivéssemos obrigação de sempre ouvir.

Por isso, é muito importante evitar esse contágio emocional em excesso, pois ele gera estresse, trazendo uma carga emocional muito pesada. E assim fica mais difícil ter uma atitude empática e assertiva, sendo que para encontrar uma a solução é preciso a combinação de ambos. “Nada deve ser feito de forma exagerada, pois sempre iremos acabar negligenciando a nós próprios”, salienta Penido.

Faça uma faxina emocional.

Procure realizar uma limpeza emocional, pois trazemos fragmentos emocionais de todos os relacionamentos que vivemos. “Para isso, basta refletir sobre os próprios sentimentos, posturas, reações, mágoas, perdões, o que queremos continuar carregando e o que é melhor descartarmos”, ensina Fernandes.

É fundamental entender que relações saudáveis são baseadas em trocas harmônicas, enquanto interações negativas incomodam, provocando um desgaste que, ao longo do tempo, nos faz adoecer. Por isso, procure refletir e responda para si mesmo: será que estou gerando e jogando lixo ou estou me permitindo recebê-lo?

“Ser solidário é colocar-se no lugar do outro para melhor entender a sua posição e poder ajudar no que o outro precisa”, fala Marchiori. É um exercício de estar com o outro e poder voltar para si mesmo sem se perder, compreendendo que cada um tem sua história.

Quer ler no site? Clique aqui.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *